ato da sua manifestação, a questão do ser. Existir, é habitar estaticamente
na verdade do Ser. Pensar, é descobrir reflexivamente o caminho do
Ser: não significa, originariamente, compreender algo,
mas compreender o que se está já situado."
(Heiddeger)
   O termo estética, no sentido de reprodução dos mais diversos tipos de sensações que se apresentam à nossa percepção, é uma grande contribuição de Kant para as ciências das representações, além e principalmente do conceito de juízo sintético a priori. Todavia, a pluralidade como percepção primeira é a intuição intelectual - basilar - que se deve ter, para aclarar o entendimento do significado daquilo que se revela como representação de modo geral. Deve anteceder a “sensível” de espaço e tempo – formulada por Kant – fundamentada a partir do conceito de condições a priori de conhecimento e, a idéia de primeiridade das categorias peirceanas, calcada na forma de sensibilidade genérica e não específica de pluralidade; isso, por esta ser, a ordem universal pré-estabelecida.
    Isto nos remete às noções de realidade formuladas por Platão e Aristóteles de que todas as incongruências filosóficas originam-se. Sem dúvidas, Kant e Peirce dão passos importantes para a ciência das representações. Contudo, um reexame desses faz-se necessário, tendo em vista que os conceitos de realidade - conflitantes - dos dois geniais filósofos pós- socráticos perpetuam-se até os nossos dias sem se conciliarem, influenciando negativamente as ciências e as diferentes correntes filosóficas que, ao longo de todo esse tempo, vêm surgindo. Remete-nos, ainda, a Parmênides pelo conceito de uno-unidade por ele abraçado e não de uno-univocidade; esse último coincidentemente adotado por Platão através do mundo das idéias, o supra-sensível, que nada mais é que um o universo de várias coisas de uma mesma, ou seja, idéía, através do qual, embora sacrificando a cosmologia, pôde viabilizar a filosofia - paralisada por Parmênides - devido ao conceito de uno-unidade adotado para o Ser. Por isso, é necessário considerar dois tipos de ser uno: o unidade (o parmenideano) e o unívoco. O conceito uno-unívoco é aqui adotado para diferenciá-lo do de uno-unidade, que significa uma unidade ou singularidade diferenciada do uno-unívoco.
   Ainda bem que a cosmologia, de certa forma, foi resgatada por Aristóteles ante à aceitação do mundo sensível como realidade, embora o considerasse também como imperfeito. No entanto, ao negar a realidade sensível, Platão inviabilizou os universais, tornou-os seres abstratos ininteligíveis em função da visão de unicidade unitária – parmenideana - por ele endossada. Tal engano leva-nos a uma abstração inconveniente e indesejável, a do nada ou, do ser vazio: algo inidentificável. Todavia, trocar idéias por representações não convém; para esclarecer isso, precisamos retornar a Platão, mais precisamente a Sócrates.
   Enquanto filósofo livre-pensador, Sócrates acreditava - o que também Platão veio a defender - que o conhecimento intelectual impõe-se ao sensível, no entanto, a partir da indução, uma característica da maiêutica, método que utilizava para alcança o verdadeiro conhecimento, tendo como pressuposto a teoria das reminiscências das idéias.
   Focando mais o conceito de inatismo do que o de reminiscência, Platão elimina qualquer possibilidade de conhecimento a partir das opiniões geradas pela percepção, distanciando-se assim, das individualidades do mundo sensível - de tal mundo, nenhum conceito universal pode-se alcançar. Como conseqüência, os universais tornaram-se seres abstratos. Por outro lado, o princípio de identidade aristotélico tende a identificar somente a forma do ser e não a essência dele - a inteligibilidade verificada no uno-unívoco - o que propicia o nominalismo. Visando aclarar a última questão, diria que se considerarmos “o que é, é manifestação diferenciada no espaço-tempo” como princípio de identidade e não somente “o que é, é”, estaremos confirmando a realidade da ordem universal pré-estabelecida, plural ou múltipla, facilmente observável, e também estabelecendo de modo preciso e insofismável uma conexão entre realidade abstrata e concreta, tendo em vista que disto se extrai a idéia de unicidade, pela materialidade e outros atributos, revelados nas formas que se apresentam à sensibilidade: tudo (pluralidade) é manifestação diferenciada de uma mesma coisa; o ser homem, por exemplo, não é a manifestação diferenciada do ser uno-unívoco homem, representado no mundo sensível por um universo de seres humanos diferenciados uns dos outros?
   Nessas condições, aquilo que se revela em Platão como universal ganha forma concreta, e, a idéia de universal por ele concebida transmigra para a de uno-unívoco, resultando numa interação perfeita entre forma e conteúdo.
   Entretanto, é essencial o discernimento entre existência e experiência, não só para esclarecer a ilusão do nominalismo e empirismo, como os conceitos de reminiscência e de inatismo, ainda, o equívoco de substituir idéias por representações, em que se incluem algumas teorias dos signos. Tal conceito é ativado por Kant em função da teoria da realidade refratada e, também, pela onda cientificista entusiasticamente defendida antes por Francis Bacon e que se reflete até nossos dias.
   Entendo que é possível pensar existência sem experiência, mas não experiência sem existência, embora interligadas, de que se conclui que a primeira antecede a segunda, ou seja, para se ter experiência é necessário primeiro a existência - o contrário torna-se obviamente uma impossibilidade. É relevante ressaltar que a primeira demanda espaço e a segunda tempo. Isso nos leva a observar que a existência define o ato de perceber na relação sujeito e objeto, enquanto a experiência, o processo de interação dessa relação; tal ordenamento, permite à primeira a percepção dos objetos e dos fenômenos ou as transformações das coisas no espaço/tempo. Como conseqüência dessa configuração, a razão apresenta-se, antes de tudo, como analítica.
   Não tendo observado essa ordem, Kant entendeu a realidade como refratada, embora certamente, assim, se torne devido ao continuum espaço-tempo - a quadri-dimensionalidade. Porém, não a absorvendo, não pôde entender de modo claro a presença real e concreta dos objetos do mundo sensível. Em função disso, suas condições a priori de conhecimento, representadas pelo espaço e tempo e as categorias revelam, de modo incompleto, o que se mostra como absolutamente concreto e transparente, ao sujeito do conhecimento: o objeto. Por outro lado, o conceito de realidade refratada representa uma enorme contribuição para as ciências das representações.
   Ante tais observações e considerações, pode-se formular um conceito claro de representação e de signo. Contudo, para tal, torna-se necessário considerar o até aqui apontado.
   Inicialmente, a anuência da pluralidade do mundo concreto como realidade primeira dos sentidos, dentro do conceito de que os seres apresentam-se de modo diferenciado e não imperfeitos, desvia-se assim da idéia irreal de um mundo supra-sensível separado da realidade concreta, e, ainda, a substituição do princípio de identidade aristotélico “o que é, é”, por conduzir-nos ao nominalismo, em função da indefinição quanto ao que o ser possa ser, por “o que é, é manifestação diferenciada no espaço-tempo”, modo pelo qual tudo se revela à percepção, o que possibilita a identificação de cada ser, portanto de suas existências concretas e imediatas. Deve-se, ainda, incorporar pela noção de conjunto de seres sensíveis, ora denominado de universal (portanto fora de um conceito abstrato), a idéia de unicidade-unívoca ou do uno-unívoco, fundamentalmente, pela materialidade, mas também pelos demais atributos - comuns - de unicidade que todos os seres apresentam à nossa sensibilidade. Todavia, é necessário, sobretudo, atender ao conceito de existência, de que todas as idéias são extraídas e não de experiência, ou seja, o que se manifesta aprioristicamente ao sujeito do conhecimento: a existência. Ela revela-se como uma manifestação universal e não singular; a particular pertence ao sujeito do conhecimento cônscio de que sua vivência origina-se de uma existência que se apresenta para todos como universal.
   Em qualquer situação de conhecimento, embora interligadas, a existência antecede a experiência, daí as idéias intuídas através da percepção. É necessário perceber que a relação entre o sujeito e o objeto caracteriza inicialmente a percepção - relação espacial; a temporal, interação: relação de causa e efeito ou causal - aquilo que chamamos de experiência ou fenômeno. A vida de cada um de nós não é um fenômeno, a ocorrência de uma existência, uma interação com o mundo sensível - significa ainda mudanças físicas (relação causal) num determinado espaço/tempo?
   A teoria das reminiscências de Sócrates engloba as duas relações observadas entre o sujeito e o objeto do conhecimento, embora a espacial não apresente a mesma evidencia. Já, a teoria platônica do inatismo elimina a espacialidade da relação. Algo bastante curioso porque expurga da relação o mundo sensível: uma intencionalidade? Sem dúvidas, um equívoco, pois mesmo sendo cópias imperfeitas, o objeto continua existindo conseqüentemente a espacialidade.
    Considerando a primeira, embora com algumas restrinções, como a mais correta, resta-nos diferenciar idéia de representação antes observando, peremptoriamente, a diferença entre aquilo que é de caráter natural e cultural, ou seja, os objetos provenientes da natureza e os gerados pelo homem. O apelo ao arqueólogo Vere Gordon Childe é necessário:
"O carneiro selvagem está apto à sobrevivência num clima frio montanhês devido à sua pesada proteção de lã e penugem. Os homens podem adaptar-se à vida no mesmo ambiente, fazendo capotes com as peles ou lã de ovelhas. Os leões têm garras e dentes com os quais conseguem a carne que necessitam e os homens fazem flechas e lanças para abater sua caça. Assim, na história humana, as roupas, ferramentas, armas e tradições tomam o lugar das peles, garras, presas e instintos na busca de alimentos e abrigos. Hábitos e proibições representam séculos de experiência acumulada pela tradição social, que, substituem os instintos hereditários propiciando a sobrevivência da espécie. Assim o equipamento e as defesas do homem são exteriores ao seu corpo. Pode colocá-los de lado ou usá-los, segundo sua vontade. Sua utilização não é herdada, mas aprendida, de forma lenta, com o grupo social a que o indivíduo pertence. A herança social do homem não é transmitida pelas células das quais ele nasce, mas por uma tradição que só começa a adquirir depois de ter saído do ventre materno. As modificações na cultura e tradições podem ser iniciadas, controladas e retardadas pela escolha consciente e deliberada de seus autores e executores humanos."
   O acervo cultural acumulado pela experiência ele chama de “equipamento espiritual”. Entretanto, considero o termo sócio-cultural ou intelectual mais adequado, nele se inclui não só os objetos materiais produzidos, mas também as ideologias. Para tanto, o homem necessita trabalhar idéias.
"Símbolos mais diversos, gestos e palavras representam uma linguagem, instrumentos de comunicação que servem tanto para o ensino como para a aprendizagem dos membros de uma determinada comunidade."
   De tais necessidades materiais ou de ideologias surgem as representações complexas, entendo, das idéias pré-existentes, muitas, despertadas em nós pelo meio cultural herdado em função do poder criativo humano, resultante das características mentais que possui, altamente diferenciadas das demais espécies. A teoria das reminiscências das idéias de Sócrates, deve portanto, reportar-se somente às idéias ditas “simples”. As chamadas “complexas” são, na verdade, representações complexas de idéias combinadas, fruto da cultura humana.
   Conforme Locke, a experiência é não apenas a origem de todas as idéias, mas também o seu limite. Ora, se considerarmos que a existência antecede a experiência e não o contrário, concluiremos que a existência é que é a origem de todas as idéias, mas a partir de que momento?, eis a questão.
   É necessário considerar que as idéias estão no mundo tanto quanto as formas sensíveis nele existente, por isso inatas, porém, não dentro do conceito platônico de puro inatismo, mas sim, socrático de reminiscência, tendo em vista este evidenciar não só o processo de interação entre sujeito e objeto no espaço-tempo, relação temporal, como também a espacial. Elas seriam conhecimento “a priori”, mas não como representações originárias da intuição sensível (Kant), e sim como possíveis de serem intuídas pelo intelecto tal qual os objetos do mundo sensível, sempre plausíveis de serem percebidos pelos sentidos.
   Portanto, a tese é também, de que não existem idéias complexas, mas sim representações de idéias combinadas efetuadas pela mente humana e extraídas inicialmente da natureza, a partir de uma estética natural percebida pelo sujeito do conhecimento no espaço-tempo. Evidencia-se, por exemplo, que o número não está esteticamente representado na natureza. Sua representação é algo de origem intelectual, é idealizada e elaborada em função da relação espacial entre sujeito e objeto - a percepção - pela constatação de coisas diferenciadas umas das outras, despertando no intelecto, por meio da intuição, a idéia de unidade e quantidade. O mesmo acontece com a identidade (ser pelo qual a razão pode operar). A percepção não a revela, mas sim o intelecto, pela intuição da idéia de diferença através da percepção de seres desiguais no espaço-tempo.
   Os dados empíricos ou da experiência primeiro têm de se mostrarem existentes para serem percebidos; depois, identificados pela idéia de diferença e unicidade (ambas intuídas), para poderem ser analisados pela razão, ante uma pluralidade ou um universo de seres sensíveis que se apresentam a percepção como diferentes entre si. O processo de percepção, relação espacial entre sujeito e objeto, ativa a memória (relação temporal refratada). Conseqüentemente, a imaginação busca uma identificação precisa do objeto ou objetos pela idéia de diferença e unicidade que todas as coisas revelam dentro da pluralidade percebida. A memória busca a estética adequada para traduzi-lo(s).
   Digamos que alguém jogue em cima de minha mesa uma porção de objetos, os mais diferenciados e variados possíveis. Parece-me evidente que a primeira impressão que se tenha é de quantidade, isso pelas mais diversas unidades que se revelam à minha percepção.
   Suponhamos que, ao manusear os objetos, inicialmente encontro dois de cor azul. Tenho absoluta certeza que, nesse momento, o leitor está pensando em igualdade: é justamente em que um grande equívoco acontece. Geralmente as pessoas erram, pois, na verdade, o que identifiquei não foi igualdade, mas unicidade entre os dois objetos, além do mais o leitor não está vendo que um deles é quadrado e o outro redondo.
   Bem, mas como sei que tudo provém de um modelo plural de existência, quer dizer, tudo (pluralidade) é manifestação diferenciada de uma mesma coisa, provavelmente, devo encontrar, entre os diferentes objetos a minha frente, um outro. Certamente não igual, mas com as mesmas características de unicidade do primeiro em termos de forma, tamanho, cheiro, textura, etc. O leitor mais atento deve ter avaliado que desde o momento em que colocaram tais estranhos objetos sobre minha mesa, minha memória foi bruscamente ativada, assim, as mais diversas imagens que surgem em minha mente mostram-se desconexas, não só em função do fator surpresa, como pelos mais diferentes tipos de objetos sobre minha mesa. Como nada ainda praticamente identifiquei, ela está procurando fornecer-me uma série de imagens ou uma estética adequada, que me possibilite identificar alguma coisa, obviamente, a partir do que estou conseguindo perceber e intelectualmente identificar, até agora, a cor azul comum a dois objetos.
   Como me considero um homem culto, tenho, conseqüentemente, noção do que seja forma, tamanho, cheiro, textura, etc. Acho então que, com tais conhecimentos, as coisas ficarão mais fáceis. Assim, continuo a minha tarefa, cujo propósito é ordenar o que me parece caótico.
   Depois de duas horas constato que consegui identificar vários pares de objetos, com unicidades de atributos idênticos em suas tridimensionalidades; exatamente, metade dos existentes. A outra metade, os correspondentes, devem estar fora do lote.
   Devo confessar que meu sobrinho de nove anos, embora não tenha tanto conhecimento como eu, porém, muito inteligente e intuitivo, ajudou-me muito. Pelo menos um terço das unicidades encontradas foram identificadas por ele, apesar de não saber direito o que seja classificação e outras coisas mais, próprias de um homem que se julga culto. Todavia, e seguramente, sua noção de unicidade é, sem dúvidas, bastante avançada e intrigante. Só estranhava quando dizia que um objeto era igual ao outro: na verdade nunca são. Obviament, ele ainda não tem consciência disso. Igualdade é idéia de unicidade Esta última, por ser unívoca, faz com que ela seja sempre relativa: a diferença é a lei.
   O processo abdutivo de conhecimento é a grande descoberta de Peirce; o sustentáculo de sua teoria. Pois, a imaginação era, até então, desconsiderada. Não se entendia ou não se entende que sua função é de precisar a estética do objeto visando revelar o significado exato dele. Entretanto, considero que ele deve revelar, mais claramente, o processo analítico de conhecimento.
   Em termos peirceano diria que a primeiridade deve ser a pluralidade imediatamente manifestada à percepção, assemelhando-se, assim, à idéia de variedade, multiplicidade, diversidade, não devendo, entretanto, existir descontinuidade entre primeiridade, secundidade e terceiridade, senão didaticamente. A lógica abdutiva para, torna-se mais clara, deve estar circunscrita à relação sujeito e objeto, a espacial, ou ainda a percepção imediata da pluralidade (o universal concreto ou um conjunto de seres diferenciados representante da idéia de unicidade: o inteligível do ser) a partir de onde se inicia o processo racional de conhecimento, um procedimento analítico. Nele a imaginação nunca descansa, pois a memória (reminiscência) busca incessantemente, uma estética adequada para a identificação dos objetos percebidos; estes vão sendo submetidos, alternadamente, a uma análise dedutiva e indutiva ante as idéias de unicidade intuídas. Estamos sempre lidando com a pluralidade e a singularidade. São seres inseparáveis, tendo em vista que o objeto é sempre uma manifestação diferenciada do universal sensível a que pertence: revelam unicidade.
   Há de se enfatizar que só dentro do contexto cultural ou intelectual a idéia de representação pode ganhar a claridade devida. Isto por espelhar a condição sócio-cultural do ser humano bastante diferenciada em relação às outras espécies, característica muito bem explicada pelo arqueólogo australiano V. Gordon Childe. Um outro ponto importante a ser considerado é a nomenclatura dos mais diversos termos utilizados para caracterizar diferentes tipos de representações, tais como: sinal, signo, ícone, símbolo, desenho etc. Sem dúvida, traduz sempre uma linguagem específica de uma determinada cultura e que, muitas vezes, no fundo, significam coisas, se não iguais bastantes semelhantes. Assim, signo, dentro do universo do que se entende como representação, é um sinal representativo daquilo que se pretende declarar como algo significativo para o entendimento humano. Deve traduzir um avanço do nível cultural de uma sociedade.
   O homem necessita trabalhar idéias, por isso está sempre lidando com unicidades. O signo como representação daquilo que é natural é uma idéia, esta como representação humana, um signo, a revelarem unicidades; podemos constatar isto através da imagem de um ponto, de uma linha ou de uma letra: representam idéias de formas, sons, etc., observadas na natureza. Quando acima identifiquei a cor azul do objeto que manipulava, estava, na verdade, identificando um signo, a representação de uma unicidade antecipadamente registrada em minha memória, por intermédio de meio natural ou cultural. Ao encontrar um outro objeto com as mesmas características, constatei unicidade entre eles (a idéia do ser uno-unívoco). A coisa material formada – expressão dos escolásticos – e as idéias necessitarão sempre ser por ele representado, algo próprio da condição sócio-cultural do ser humano. Signo é revelação de unicidade, assim como representação.
Novamente Heiddeger:
"A existência humana não é um simples fato: ela articula, no próprio ato da sua manifestação, a questão do ser. Existir, é habitar estaticamente na verdade do Ser. Pensar, é descobrir reflexivamente o caminho do Ser: não significa, originariamente, compreender algo, mas compreender o que se está já situado."
m.melo
